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Pesquisa de Dismorfismo Eritrocitário

Hematúria é um achado freqüente na prática clínica, com uma prevalência na população em geral variando entre 4% e 13%. Inúmeras são as causas de hematúria e sua presença deve ser sempre investigada, mesmo nos casos assintomáticos.
A diferenciação entre hematúria glomerular e não glomerular, através da análise da morfologia dos eritrócitos, foi estabelecida há aproximadamente 20 anos, com os trabalhos iniciais de Birch e Fairley. Esses autores demonstraram que, em pacientes com glomerulonefrites, os eritrócitos presentes na urina apresentavam alterações morfológicas específicas quando examinados sob microscopia de contraste de fase. Estes achados foram confirmados em estudos posteriores.
No entanto, o fato de as alterações morfológicas observadas serem mais numerosas que as inicialmente descritas levou a grandes dificuldades na classificação das hematúrias. O primeiro passo para a sistematização da investigação da hematúria sob microscopia de contraste de fase deu-se no início dos anos 90, quando da descrição dos acantócitos como marcadores da hematúria glomerular. Em 1995, outro estudo estabeleceu que a análise do dismorfismo eritrocitário, baseada na pesquisa de codócitos e acantócito, foi eficaz em diferenciar hematúria glomerular de não glomerular com altas sensibilidade e especificidade.
A partir deste estudo adotamos a seguinte sistematização em nosso serviço:

::. Amostra .::
Urina, amostra isolada, jato médio colhido com assepsia. Não é necessário a coleta da primeira micção do dia, podendo-se utilizar qualquer amostra de urina obtida após um período de estase vesical de 2 a 4 horas.

::. Conservação da amostra .::
1 a 2 horas em temperatura ambiente. Não se recomenda a adição de nenhum tipo de conservante na amostra ou sua refrigeração.

::. Condição para realização do exame .::
Presença de hemácias acima do valor de normalidade estabelecido por cada laboratório.

::. Método .::
Microscopia de contraste de fase.

::. Princípio do método .::
Na microscopia de campo claro, pode-se analisar um material corado devido à habilidade de absorver a luz que passa através dele. Com materiais não corados, o grau de absorção de luz pode ser insuficiente, tornando determinados elementos praticamente invisíveis. O contraste da fase é utilizado para permitir uma melhor visualização destes elementos com todos seus detalhes. O principio da microscopia de contraste de fase é transformar as alterações de fase em alterações de amplitude, que são visíveis e podem ser interpretadas como diferença de brilho. Para isto, utiliza-se uma combinação de lentes que despolariza a onda de luz, acelerando ou retardando a relação de fase e produzindo um contraste “positivo” (escuro) e “negativo” (brilhante).

::. Material necessário .::
Lâminas lapidadas 72 x 24 mm, lamínulas 24 x 32 mm, pipeta automática de 50 ml, ponteiras descartáveis, tubo de fundo cônico, graduado, centrífuga, microscópio de contraste de fase.

::. Procedimento .::
1) Centrifugar 10 ml da amostra durante 10 minutos a 1.500 rpm;
2) Desprezar o sobrenadante, restando 0,5 ml de sedimento;
3) Homogeneizar e colocar, com pipeta automática, 0,05 ml entre lâmina e lamínula;
4) Observar sob microscopia de contraste de fase em aumento de 400 vezes;
5) Analisar pelo menos 10 campos ou 100 hemácias, observando a presença ou ausência de codócitos e acantócitos. (figuras 1, 2, 3, 4, 5).

::. Expressão dos resultados .::
Relatar a presença ou ausência de codócitos e/ou acantócitos.

::. Interpretação .::
A presença de codócitos e/ou acantócitos sugere hematúria de origem glomerular.

::. Interferentes e limitações .::
A presença de numerosos filamentos de muco, bactérias e células epiteliais pavimentosas dificultam a visualização de detalhes morfológicos, prejudicando a realização do exame.
Em alguns casos de hematúria macroscópica maciça, especialmente na fase de instalação da glomerulonefrite difusa aguda e nas vasculites, a pesquisa de dismorfismo eritrocitário pode, em alguns casos, revelar-se negativa, mesmo tratando-se de hematúrias sabidamente de origem glomerular.

Fig.1: Hematúria glomerular - presença de codócitos

Fig.2: Hematúria glomerular - presença de acantócitos

Fig.3: Hematúria glomerular - presença de codócitos e acantócitos

Fig.4: Hematúria não glomerular - ausência de codócitos e/ou acantócitos

 

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