Tireóide
Provas de Função
Tireoidiana
::.
Introdução .::
Nos últimos 40 anos, ocorreu uma melhora substancial na sensibilidade
e especificidade dos testes tireoidianos principalmente com o desenvolvimentos
dos métodos imunométricos não isotópicos.
Avaliaremos a utilidade clínica e os possíveis fatores
de interferência nas dosagens do TSH (hormônio tireotrópico),
T4 (tiroxina) e T3 (triiodotironina).
Fatores
Pré-Analíticos
::.
Variáveis Fisiológicas
.::
A função tireoidiana pode ser determinada diretamente
pela medida dos seus hormônios(T4 e T3) ou indiretamente através
da ação desses hormônios na secreção
de TSH. Se a unidade hipotálamo-hipofisária funciona
normalmente, as concentrações de TSH estarão
inversamente relacionadas à função tireoidiana.
A medida do TSH é mais sensível para a detecção
da disfunção tireoidiana. Isto ocorre por dois motivos:
o primeiro é que a sua concentração sérica
e do T4 tem uma relação log-linear tal que pequenas
anormalidades no T4 irá produzir uma resposta amplificada
do TSH (fig.1); o segundo motivo é que estudos conduzidos
em gêmeos demonstram um setpoint determinado geneticamente
para o T4, dessa forma nos estágios precoces da disfunção
tireoidiana a anormalidade do TSH será anterior à
do T4.
Relação entre as concentrações
séricas do TSH e do T4 livre.
Deve-se
reconhecer que a dosagem isolada do TSH pode apresentar-se inadequada
em algumas situações: anormalidade da função
hipotálamo-hipofisária; fase precoce da correção
do hipotireoidismo e do hipertireoidismo, tumores produtores de
TSH e drogas que influenciam a secreção do TSH.
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Fatores Demográficos e Individuais .::
O período neonatal, infância e senilidade apresentam
alterações na função tireoidiana assim
como os estados de desnutrição (baixos níveis
de T3). Para outras variáveis como gênero, raça,
fase do ciclo menstrual, tabagismo, exercício, jejum e estação
do ano não se observaram diferenças clinicamente significativas.
Deve-se lembrar que a gestação produz um aumento na
TBG (proteína transportadora de T4) falseando os níveis
de T4 total.
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Variação Biológica .::
As variações intra-individuais dos hormônios
tireoidianos são muito estáveis num período
de 1 a 4 anos. O mesmo não ocorre com as variações
inter-individuais. Veja a tabela abaixo:
Marcadores de Função Tireoidiana
Hormônio |
Período
entre as Avaliações |
%
CV* |
%
CV** |
T4T
e T4L |
1 semana
6 semanas
4 anos
|
3,5
5,3
7,3
|
10,8
13,0
14,8 |
T3T
e T3L |
1
semana
6 semanas
4 anos
|
8,7
5,6
15,1
|
18,0
14,8
19,2 |
TSH |
1
semana
6 semanas
4 anos
|
19,3
20,6
21,2
|
19,7
53,3
45,0 |
| |
|
*
Intraindividual |
**Interindividual |
| CV=
Coeficiente de variação |
|
As
flutuações diurnas do TSH ocorrem dentro da faixa
de referência do exame.
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Variáveis Patológicas .::
A – Medicamentos. Os glicocorticóides
em grandes quantidades podem reduzir o nível sérico
do T3 e inibir a secreção do TSH. A dopamina inibe
a secreção do TSH e pode, também, reduzir o
seu nível aumentando no hipotireoidismo primário a
valores normais em pacientes hospitalizados. Fenitoína e
carbamazepina causam uma redução nos níveis
de T4T e T4L ( para o T4L quando se utiliza um método de
detecção direto ultrafiltração pro exemplo
– esse efeito não é observado). O propanolol,
eventualmente, pode causar uma elevação do TSH devido
à sua ação de inibir a conversão periférica
do T4 em T3. A amiodarona pode levar ao hipotireoidismo e ao hipertireoidismo
em indivíduos predispostos. O lítio causa hipotireoidismo
em 5 a 10% dos usuários, principalmente naqueles com anticorpos
positivos. Em alguns casos pode causar hipertireoidismo. Furosemida
e heparina podem inibir a ligação do T4 às
proteínas séricas in vitro.
B
– Doenças não Tireoidiana.
Em pacientes hospitalizados as provas de função tireoidiana
podem não mostrar utilidade.
Confira a figura abaixo:
 |
C – outras interferências: T4 em soro
é estável por meses quando armazenado a 4º C
e por anos quando congelado a -10º C. O TSH é estável
por vários anos no soro congelado. Hemólise, lipemia
e hiperbilirrubinemia não produzem interferência significativa
nos imunoensaios. Entretanto, os ácidos graxos livres podem
deslocar o T4 das proteínas de ligação o que,
em parte, explicaria os baixos níveis de T4T freqüentemente
vistos no eutireoidiano doente. Os anticorpos heterofílicos
são encontrados com moderada freqüência no soro
dos pacientes. Podem criar valores falsamente baixos ou altos dependendo
da metodologia utilizada pelo laboratório. O valor inadequado
não precisa ser necessariamente anormal, apenas inapropriadamente
normal. É importante o contato do médico assistente
com o laboratório para a correta suspeição
desses casos. O armazenamento do soro a –20º C é
recomendado se o ensaio for demorar mais do que 24 horas para ser
realizado.
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Dosagem de T3 e T4 totais
.::
Tecnicamente é mais fácil mensurar as concentrações
totais nos hormônios tireoidianos do que as frações
não ligadas às proteínas. Isso ocorre devido
ao fato de que as concentrações totais serem mensuradas
em nanomoles, enquanto a fração livre é medida
em picomoles.
Existem grandes diferenças entre os métodos de dosagem
para T4T e T3T. Essas diferenças ocorrem devido à
falta de ensaios padronizados de referência para T4T e T3T.
Além disso, existem diferenças quanto à sensibilidade
do instrumento, quanto ao soro humano e a matriz do calibrador.
Concentrações anormais de T4T e T3T são comumente
encontrados como o resultado de anormalidades das proteínas
de ligação e não à disfunção
tireoidiana. Alguns pacientes contêm outras proteínas
anormais como autoanticorpos contra hormônios tireoidianos
que alteram a dosagem dos hormônios tireoidianos totais.
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Dosagem de T3 e T4 livres .::
Os testes para a fração livre dos hormônios
tireoidianos são realizados por métodos de detecção
indireta, que requerem dois testes separados, ou técnicas
de imunoensaio direto.
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Método Indiretos .::
- Índice utilizando a medida da TBG: índices utilizando
a medida da TBG (por exemplo, T4T/TBG) são raramente utilizados
por não mostrarem utilidade diagnóstica superior aos
índices indiretos utilizando a taxa de ligação
do hormônio tireoidiano.
- Resina ligadora de hormônio tireoidiano/T3 Retenção:
nesse ensaio uma quantidade conhecida e marcada de T3 é adicionada
ao soro do paciente. A amostra é então incubada com
um agente ligador não especifico (uma resina, por exemplo).
Após o equilíbrio, a resina é separada do soro
e a quantidade de T3 marcado capturado pela resina é medida.
A quantidade de radioatividade ligada à resina é inversamente
proporcional ao número de locais de ligação
disponíveis no soro: Veja a tabela abaixo:
Obs:
estes testes podem produzir, ocasionalmente, índices de T4
livre inapropriadamente anormais quando os pacientes tem alteração
muito pronunciadas das proteínas de ligação
(extremos de concentração anormal de TBG, hipertiroxinemia
disalbuminência familiar, autoanticorpos contra hormônios
tireoidianos e o eutireoidiano doente).
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T4 e T3 livres Método Diretos
.::
A dosagem direta dos hormônios tireoidianos pode ser realizada
por métodos absolutos ou comparativos. Os métodos
absolutos requerem um isolamento físico da fração
livre da fração ligada às proteínas
antes de empregar um imunoensaio sensível. Esse isolamento
é conseguido através de uma câmara de diálise,
uma técnica de ultrafiltração ou pelo uso de
uma coluna de adsorção. Como são métodos
trabalhosos e caros, estão restritos a alguns centros de
pesquisa. Os métodos comparativos baseiam-se, usualmente,
na captura do hormônio livre por anticorpo anti-hormônio
específico. São métodos mais simples e que
permitem a automação. A quantificação
dessa captura pode ser feita por radioatividade, fluorescência
ou quimioluminescência. São realizados em uma ou duas
etapas. A utilização da determinação
livre e não total do hormônio tireoidiano melhora a
acurácia diagnóstica da detecção do
hipo ou hipertireoidismo. No entanto, para validação
das faixas de referência usualmente empregadas, deve-se levar
em consideração a possibilidade de interferências
possíveis: a síndrome do eutiroidiano doente; a hipertiroxinemia
disalbuminêmica familiar; a possibilidade da presença
de anticorpos anti-T4 e anti-T3 e os anticorpos heterofílicos.
Os resultados inusitados são encontrados devido à
presença de substâncias que são falsamente detectadas
pelos anticorpos (reação cruzada); auto-anticorpos
endógenos; interferências por drogas e anticorpos heterofílicos.
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Dosagem de TSH
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Houve uma grande melhora na metodologia da dosagem do TSH, possibilitando
a sua utilização como teste de rastreio para as disfunções
tireoidianas. Apesar dessa grande melhora na sua sensibilidade e
especificidade, os ensaios para TSH não estão isentos
de algumas interferências. Por exemplo, pacientes com hipotireoidismo
central ocasionado por disfunção pituitária
ou hipotalâmica, secretam isoformas com glicosilação
anormal e reduzida atividade biológica que são medidas
como concentrações séricas normais de TSH podem
ser vistas quando pacientes tem hipertireoidismo por tumores produtores
de TSH, que parecem secretar isoformas de TSH com elevada atividade
biológica. Outras possibilidades de interferência são
os anticorpos heterófilos e a contaminação
da amostra por heparina; o primeiro levando a valores falsamente
elevados e o segundo a valores falsamente baixos. Um conceito importante
ao analisar a sensibilidade do teste de TSH é sua sensibilidade
funcional, calculada como o limite máximo de 20% para o coeficiente
de variação interensaio. Essa sensibilidade funcional
seria o menor valor, detectado, clinicamente relevante do teste.
Anormalidades transitórias do nível de TSH podem ser
encontradas em pacientes hospitalizados. Deve-se ter precaução
na sua análise nessa condição. Os níveis
de TSH são caracteristicamente mais altos na idade neonatal
e valores apropriados de referência devem ser utilizados.
De uma forma geral os ensaios de TSH são menos suscetíveis
a interferência do que os ensaios para T4L.
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