Infertilidade
Feminina
Resumo
Estima-se
que a infertilidade possa afetar entre 10 e 30% dos casais
em idade fértil. Apesar do aumento da divulgação
dos tratamentos disponíveis, apenas 43% dos casais
inférteis buscam tratamento e apenas 24% buscam tratamento
especializado. Menos de 2% usam fertilização
in vitro ou outras tecnologias reprodutivas assistidas. As
mulheres com maior tendência a procurar tratamento especializado
tem 30 anos de idade ou mais. Os fatores de risco para a infertilidade,
como história de doença inflamatória
pélvica, uso de dispositivo intra-uterino ou cirurgia
pélvica devem ser revistos pele médico. Enquanto
84% de casos com menos de três anos de infertilidade
conseguem uma gravidez dentro de 18 meses, 56% com três
a cinco anos de infertilidade e 30% com infertilidade superior
a cinco anos tem a mesma sorte. Uma associação
entre a idade da mulher e a redução da fecundibilidade
tem sido bem documentada. Aproximadamente 30% dos casais em
que a parceira tem de 35 a 44 anos são inférteis.
À medida que nos níveis de FSH aumentam e uma
mulher aproxima-se da menopausa, as probabilidades de gravidez
bem-sucedida diminuem ainda mais. As causas mais comuns da
infertilidade feminina são os problemas ovarianos (30-40%),
endometriose (6%), fatores cervicais (5%), fatores tubários
(30-50%), fator uterino (10-20%), fator peritoneal (11%),
fator coital e vaginal (5%), fatores imunológicos (20%)
e infertilidade sem causa aparente (20%). Como diagnóstico
para os distúrbios a serem analisados, pode-se citar
a utilização da histerossalpingografia, ultra-som,
histeroscopia, dosagens hormonais, biópsia do endométrio,
laparoscopia, teste pós-coito, dentre outros, dependentes
do fator envolvido, ainda incluindo a história clínica
e o exame clínico, indispensáveis para o diagnóstico.
O tratamento da esterilidade conjugal pode ser dividido em
dois grandes grupos: o tratamento clássico e a fertilização
assistida, onde, para se efetuar um bom tratamento é
necessário um bom diagnóstico. A terapêutica
só deve ser iniciada depois de executados todos os
tempos da propedêutica básica geral e especifica
e propedêutica complementar necessária. No geral,
é apropriado que o casal procure assistência
médica com especialistas em reprodução
humana após 12 meses de tentativa sem que ocorra gestação.
Palavras-Chave: Infertilidade Feminina, Infertilidade Conjugal,
Infertilidade. |
::.
Introdução .::
Infertilidade
é a incapacidade de um dos dois cônjuges, quer por
causas funcionais ou orgânicas, gerar gravidez por um período
conjugal de no mínimo dois anos, sem o uso de contraceptivos
e com vida sexual normal. Ela afeta aproximadamente 10 a 15% dos
casais em idade reprodutiva nos Estados Unidos, porém, a
incidência da esterilidade varia intensamente conforme a região
a ser analisada. Em termos gerais, estima-se que possa variar entre
10 e 30% dos casais em idade fértil. Apesar da prevalência
relativamente estável da infertilidade nos Estados Unidos,
a utilização dos serviços de infertilidade
aumentou significativamente nos últimos anos. Entre 1968
e 1984, o numero de consultas em razão da infertilidade aumentou
quase três vezes – até o nível atual de
1,6 milhões de consultas anualmente, sabendo-se que era de
13% a taxa dos casais inférteis a dez anos (2,3,6).
Uma das regiões de maior prevalência é a África
Equatorial, onde alguns locais apresentam cerca de 30% da população
sem filhos. Cerca de 18% dos casais das metrópoles brasileiras
em idade fértil não conseguem ter filhos, pode-se
observar que nossa incidência supera a americana, visto que
um dos fatores importantes na gênese da esterilidade, em termos
populacionais, é a ocorrência de processos infecciosos
pélvicos adquiridos por contato sexual ou após parto
ou aborto em condições precárias. (3,6).
O que parece comum a vários países é o aumento
da procura por serviços que tratam dos problemas da fertilidade.
Este aumento pode ser devido a vários fatores como por exemplo
a recente cobertura da mídia de tecnologias reprodutivas
assistidas e outros tratamentos de fertilidade aumentou a consciência
do problema e seu tratamento; o envelhecimento dos “baby boomers”
pós-Segunda Guerra Mundial levou a aumento do número
de mulheres em idade reprodutiva; elevação das taxas
de doenças sexualmente transmissíveis e toxinas no
meio ambiente; anticoncepcionais efetivos e mudanças no comportamento
da mulher postergando a época para ter seus filhos, aumentando
assim as chances de contrair uma moléstia inflamatória
pélvica ou outras doenças como a endometriose, além
da queda natural da fertilidade com o passar dos anos (2,3).
Apesar do aumento da divulgação dos tratamentos disponíveis,
apenas 43% dos casais inférteis buscam tratamento e apenas
24% buscam tratamento especializado.
Menos de 2% usam fertilização in vitro ou outras TRAs
(Tecnologias Reprodutivas Assistidas). As mulheres com maior tendência
a procurar tratamento especializado têm 30 anos de idade ou
mais, são brancas, casadas e com condição socioeconômica
relativamente alta (2).
::.
1-Anamnese e Exame Físico .::
O
encontro inicial do médico com o casal infértil é
o mais importante porque estabelece o tom para a avaliação
e o tratamento subseqüente.
Deve ser enfatizado que a infertilidade é um problema do
casal. A presença do parceiro masculino começando
a avaliação inicial o envolve no processo terapêutico.
O médico deve obter uma história clínica, cirúrgica
e ginecológica completa da mulher. Especificamente, informações
sobre ciclicidade menstrual, dor pélvica e história
obstétrica são importantes. Enquanto 84% de casos
com menos de três anos de infertilidade conseguem uma gravidez
dentro de 18 meses, 56% com três a cinco anos de infertilidade
e 30% com infertilidade superior a cinco anos têm a mesma
sorte. A freqüência de coito está relacionada
com a probabilidade da concepção, elevando-se de 15
para 50% em seis meses à medida que a freqüência
do coito aumenta de menos de uma vez semanal a três vezes
por semana (1,2).
O exame físico da mulher deve ser completo, com atenção
particular à altura, peso, biótipo, distribuição
de pêlos, tireóide, condição em relação
à galactorréia e achados do exame pélvico.
Uma pesquisa realizada pela Universidade de Adelaide (Austrália),
mostra que mulheres com peso ideal (nem muito magras e nem obesas)
estão mais propensas a fertilidade do que as consideradas
fora de medida (2,8).
::.
2-Infertilidade e Idade .::
Já
é plenamente conhecido que a idade cronológica, simplesmente,
não espelha com fidelidade a função ovariana.
Uma avaliação do patrimônio folicular existente,
independentemente da idade cronológica, pode ser realizada
pela história clínica de ciclos menstruais regulares,
pelas provas que comprovam indiretamente o mecanismo ovulatório
normal e mais recentemente pela análise dos níveis
do hormônio folículo estimulante (FSH) e do hormônio
luteinizante (LH) coletados no terceiro dia do ciclo menstrual.
Uma associação entre a idade da mulher e a redução
da fecundibilidade tem sido bem documentada. Este declínio
da fecundibilidade começa no início da quarta década
de vida e acelera-se no final da quarta década de vida e
início da quinta década de vida. Aproximadamente 30%
dos casais em que a parceira tem de 35 a 44 anos são inférteis.
(2,3).
À medida que os níveis de FSH aumentam e uma mulher
aproxima-se da menopausa, as probabilidades de gravidez bem-sucedida
diminuem ainda mais. Os dados que correlacionam os níveis
de FSH com o mau resultado reprodutivo mostram que mulheres com
níveis de FSH > 15 mUI/ml no 3º dia do ciclo apresentam
taxas reduzidas de gravidez em fertilização in vitro,
e mulheres com níveis ainda maiores de FSH possuem taxas
de gravidez ainda melhores. Entretanto, há uma variação
considerável das dosagens do FSH, de forma que os resultados
dependem do método usado. Outro fator que contribui para
a diminuição da fecundidade em mulheres em idade reprodutiva
mais avançada é o aumento do risco de abortamento
espontâneo. A taxa de abortamento espontâneo clinicamente
reconhecido aumenta mais de duas vezes entre os 20 e os 40 anos
de idade. Este aumento da taxa de abortamento, associado à
redução da taxa de concepção, reduz
significativamente a probabilidade de se obter um nascido vivo para
mulheres com mais de 40 anos de idade (2,10).
::.
3-O Aparelho Reprodutor
Feminino .::
Compõe-se
de órgãos genitais externos, composto pelos pequenos
e grandes lábios vaginais e pelo clitóris, que em
conjunto formam a vulva. Os órgãos reprodutores femininos
internos são os ovários, as trompas de Falópio,
o útero e a vagina.
 |
Os ovários, as tubas uterinas e o útero da mulher
sexualmente madura sofrem grandes alterações estruturais
e funcionais associadas ao ciclo menstrual e à gestação.
Estas alterações cíclicas são reguladas
por mecanismos hormonais e neurais. O início da fase reprodutiva,
marcada pelo início dos ciclos menstruais, é conhecido
como menarca, ocorrendo entre 9 e 14 anos de idade. A menarca marca
o fim da puberdade e início da vida reprodutiva, que dura
cerca de 40 anos. Durante esta fase de vida os ciclos menstruais
deram de 28 a 30 dias. O aparelho reprodutor para de funcionar e
atrofia após o término da fase menstrual. Os dois
ovários da mulher estão situados na região
das virilhas, um em cada lado do corpo com 3 cm de comprimento e
apresentam em sua porção mais externa (córtex
ovariano), as células que darão origem aos óvulos.
O ovário tem duas funções inter-relacionadas:
a produção de gametas e a produção de
hormônios. Cada folículo ovariano contém um
ovócito, que se encontra incluído no estroma do córtex
do ovário (9,10).
O óvulo é uma célula grande, contendo um núcleo
em processo de divisão meiótica incompleto, o qual
será finalizado após a penetração do
espermatozóide. Todo o material necessário para iniciar
o crescimento e desenvolvimento deve estar estocado no óvulo
maduro. As proteínas são suficientes até que
o embrião passe a receber nutrientes maternos. O ribossomo
e RNA transportador vão atuar na síntese protéica
que ocorre logo após a fecundação. O RNA mensageiro
materno é importante para a síntese protéica
durante as primeiras fases de desenvolvimento do ovo. A ovulação
é o processo pelo qual um ovócito secundário
é liberado do folículo ovariano. A ovulação
ocorre devido a uma ruptura do folículo totalmente maduro
no meio do ciclo menstrual que expele o ovócito, o qual passa
para a tuba uterina e que se aproxima através de movimentação
das fímbrias, não permitindo que o ovócito
caia na cavidade peritoneal (10).
 |
Após a ovulação, as células foliculares
e as da teca interna, que permanecem no ovário, dão
origem ao corpo lúteo ou corpo amarelo, que é uma
glândula endócrina temporária. Produz progesterona
e estrógenos, que atuam sobre a mucosa uterina, estimulando
a secreção de suas glândulas. A progesterona
impede ainda o desenvolvimento de outros folículos ovarianos.
Quando não há fecundação o corpo lúteo
tem duração de 10 a 14 dias, ou seja persiste durante
a segunda metade do ciclo menstrual.
Após este período degenera e desaparece. Se houver
gravidez o corpo lúteo aumenta muito e só entrará
em regressão após o quinto ou sexto mês, mas
não desaparece completamente e secreta progesterona até
o fim da gravidez. A tuba uterina, oviduto ou trompa de Falópio
transporta o óvulo de cada um dos ovários até
o útero. Cada tuba tem aproximadamente 10 cm de comprimento
e apresenta uma das extremidades adjacentes ao ovário e aberta
para a cavidade peritoneal e a outra extremidade comunica-se com
a cavidade uterina.
 |
O útero é um órgão musculoso e oco,
e em uma mulher que nunca engravidou, o útero tem aproximadamente
7,5 cm de comprimento por 5 cm de largura. A porção
superior do útero (o corpo uterino) é larga e está
conectada às trompas. Sua porção inferior (o
colo uterino), é estreita e se comunica com a vagina (9,10).
::.
4-Processo de fertilização .::
A
fertilização, a união do espermatozóide
com o óvulo, é um processo complexo. Todo mês,
um número de óvulos são selecionados para maturação.
Na maioria das vezes, somente um amadurecerá, será
liberado e potencialmente fertilizado. Os espermatozóides,
após serem depositados na vagina no ato sexual, alcançam
o muco do canal cervical, chegam ao útero e às tubas
uterinas e sofrem a capacitação, o processo pelo qual
o revestimento que cobre a cabeça do espermatozóide
é alterado e as enzimas aí incluídas são
lentamente liberadas. Depois que alcançam o ovócito,
estas enzimas ajudam o espermatozóide a abrir uma fenda na
sua camada mais externa, a zona pelúcida. A cabeça
do espermatozóide, contendo o material genético paterno,
penetra no citoplasma do ovócito. O óvulo fertilizado,
que antes de começar a se dividir é chamado de zigoto,
inicia a fase de divisão formando um embrião, que
continua sua jornada descendo a tuba até chegar no útero.
Depois de lá chegar, o embrião em divisão fica
flutuando por aproximadamente dois dias antes de eclodir da zona
pelúcida e implantar no endométrio, a camada mais
interna do útero. Após a implantação,
o embrião começa a produzir uma série de hormônios
que irão manter a gravidez, entre eles o beta-hCG, que pode
ser detectado no sangue a partir do 14º dia após a ovulação
(6).
::.
5-Causas da Infertilidade .::
As
causas mais comuns da infertilidade feminina são:
a) problemas ovarianos;
b) endometriose;
c) fatores cervicais;
d) fatores tubários;
e) fator uterino;
f) fator peritoneal;
g) fatores coital e vaginal;
h) fatores imunológicos;
i) infertilidade sem aparente.
A prevalência relativa das diferentes causas de infertilidade
varia muito entre populações de pacientes (2,3,4).
::.
6-Problemas ovarianos .::
Os
problemas ovarianos são a causa mais freqüentes de infertilidade
feminina, responsáveis por aproximadamente 30-40% de todos
os casos de infertilidade feminina. Os problemas ovarianos caracterizam-se
fundamentalmente pela ausência completa de ovulação
(anovulação) ou por uma ovulação infrequente,
irregular ou ambas. A menstruação infrequente (oligomenorréia)
ou ausência total de menstruação (amenorréia)
indicam a presença de problemas ovarianos, que também
podem ocorrer em mulheres que parecem ter períodos menstruais
normais (2,4).
Disovulia ou ovulação “defeituosa”, ovulação
desequilibrada ou disfunção ovulatória, é
um termo que se usa para descrever ciclos menstruais nos quais há
um padrão cíclico de liberação hormonal
e um registro bifásico da temperatura basal, porém
nos quais a mulher não engravida na ausência de outras
causas determinantes. As causas mais freqüentes de anovulação
crônica seriam disfunção hipotálamo-hipofisária,
síndrome dos ovários policísticos, hiperprolactinemia
e insuficiência hipotálamo-hipofisária. As restantes
causas são raras constituindo quase que uma exceção
(3).
6.1.
Temperatura Corporal Basal: o método
mais fácil e menos dispendioso para detectar ovulação
é a paciente registrar sua temperatura corporal basal (TCB).
A curva térmica basal classifica-se em monofásica,
quando não apresenta variação térmica,
isto é, elevação da temperatura acima de 0,3ºC
entre duas fases do ciclo, característica quase sempre de
ciclos anovulatórios e bifásica, quando o aspecto
mostra suas fases distintas, sendo a segunda fase com níveis
térmicos iguais ou superiores a 0,3ºC em relação
à primeira fase, sendo que tem mais valor o aspecto bifásico.
Embora seja barata e não invasiva, a temperatura basal deixa
a desejar. Os padrões monofásicos podem ocorrer em
12% a 20% dos ciclos determinados subseqüentemente como tendo
sido ovulatórios.
Além disso, o nadir da temperatura não pode ser utilizado
com precisão para definir o momento exato da ovulação
(1,3).
Freqüencia
das Causas de infertilidade.
Causas |
Freqüencia |
| Desconhecida |
28% |
| Fator
Masculino |
23% |
| Fator
Tubário |
14% |
| Endometriose |
6% |
| Problemas
no coito |
5% |
| Fator
Cercival (colo do útero |
3% |
6.2.
Biópsia do Endométrio: outro método de
confirmação da ovulação é a biópsia
endometrial, à constatação de endométrio
secretor, confirma-se à ovulação. Como este
procedimento é mais invasivo que outros métodos e
pode ser algo desconfortável para algumas pacientes, seu
principal papel na avaliação da infertilidade não
está na documentação da ovulação,
mas sim no diagnóstico de defeitos da fase lútea.
Geralmente a biópsia é realizada 2-3 dias antes do
início esperado da menstruação (2).
6.3.
Ultra-Som: o estudo ovariano com a moderna ultra-sonografia,
tem diagnosticado casos de endometriomas e outras patologias expansivas
do ovário. Permite, também, o tratamento endossonográfico
de algumas condições anormais, substituindo procedimentos
mais invasivos (5).
6.4.
Dosagens Hormonais:
as dosagens hormonais têm sido cada vez mais usadas na detecção
como diagnóstico de ciclo ovulatório. Esse aspecto
está ligado à praticidade, facilidade e confiabilidade
da metodologia, hoje quase toda por radioimunoensaio, e mais recentemente
outros métodos. Os meios utilizados para detectar a ovulação
ou acompanhar o crescimento folicular através de dosagens
hormonais prestam-se mais para a realização de inseminação
artificial ou captação de óvulos para fertilização
in vitro e transferência de embriões. A dosagem de
progesterona plasmática representa um importante recurso
semiológico na avaliação da normalidade ovulatória.
Geralmente é feita entre o 20º e 24º dia, em ciclos
de 28 dias. Níveis baixos de 2 ng/ml nos oito dias que procedem
à menstruação indicam ciclo anovulatório,
e acima de 10 ng/ml sugerem uma função de corpo lúteo
adequada. Valores intermediários na fase lútea média
podem sugerir corpo lúteo deficiente. Atualmente está
desenvolvendo-se a dosagem da progesterona na saliva (progesterona
livre), assim como os hormônios, nesse líquido biológico.
A análise da prolactina é, também, muito importante
na avaliação da infertilidade feminina, uma vez que
mulheres inférteis apresentam hiperprolactinemia em cerca
de 15% dos casos. Está especialmente indicada nos ciclos
anovulatórios, na presença de galactorréia
e que a biópsia endometrial plasmática sugerem insuficiência
lútea. Os níveis aumentados de prolactina interferem
na síntese e liberação de GnRH (hormônio
liberador das gonadotrofinas) e de progesterona, explicando-se facilmente
sua associação com quadros de fase lútea defeituosa
e anovulação. Níveis de prolactina iguais ou
superiores a 80 ng/ml costumam estar associados a ciclos anovulatórios.
Entre 25 e 50 ng/ml estariam mais ligados à insuficiência
lútea, sendo que a amenorréia apresenta-se acompanhada
com níveis de prolactina acima de 100 ng/ml, freqüentemente
portadora de prolactinoma. Valores de referência: < 20
ng/ml.
Pacientes inférteis, acima de 35 anos, tem indicação
para uma dosagem de FSH basal. Sabe-se que mulheres que apresentam
níveis de FSH no terceiro dia do ciclo acima de 25 mUI/ml
possuem uma redução importante do patrimônio
folicular. Níveis abaixo de 15 mUI/ml sugerem melhores perspectivas
de gravidez. Valores intermediários representam um sinal
de alerta para que medidas mais eficazes de tratamento da infertilidade
sejam utilizadas de imediato. As dosagens de T3, T4 e TSH raramente
estão alterados em pacientes inférteis, sem sintomas
de disfunções tireoidianas. Sua indicação
torna-se imperiosa em mulheres que apresentam hiperprolactinemia
ou naquelas com passado de abortamentos espontâneos. Também
são solicitadas quando se suspeita de disfunção
da tireóide nos casos de anovulação e insuficiência
lútea. Elevações dos níveis séricos
de progesterona constituem evidência indireta da ovulação.
Uma única medida de progesterona não substitui a biópsia
endometrial na avaliação da adequação
na fase lútea (2,3,5,7).
6.5.
Defeitos da Fase Lútea: provavelmente existem poucas
áreas de maior controvérsia no campo de infertilidade
que aquela que envolve a existência, diagnóstico e
tratamento de defeito da fase lútea ou fase lútea
inadequada. Embora definido de forma variável, a maioria
concorda que o defeito da fase lútea ocorre quando duas biópsias
do endométrio mostram em atraso no desenvolvimento histológico
do endométrio de mais de 2 dias em relação
ao dia real do ciclo. Apesar de ser uma entidade bem estabelecida,
sua incidência varia significantemente entre os vários
serviços, incidindo de 3,4 a 35% nas mulheres inférteis.
A deficiência na secreção do corpo lúteo
leva a um desenvolvimento endometrial inadequado, sendo a nidação
normal prejudicada ou impedida. Inúmeras seriam as causas
da fase lútea defeituosa, tais como: diminuição
da produção de LH na fase folicular, produção
inadequada de FSH pré-menstrual e na fase folicular, levando
a uma resposta ovariana a LH (2,3).
6.6.
Tratamento: sabe-se que a capacidade do citrato de clomifene
de iniciar a seqüência ovulatória se deve primeiramente
e, talvez exclusivamente, à sua habilidade de ser reconhecida
e interagir com os receptores estrogênicos a nível
do hipotálamo. O citrato de clomifene está disponível
no mercado em comprimidos de 50 mg, com o nome comercial de Serofeno
e Clomid. O citrato de clomifene ainda pode ser associado a outras
drogas, como Dexametasona e Gonadotropinas. As Gonadotropinas exógenas
são indicadas quando outras técnicas para induzir
a ovulação falham. A indução da ovulação
com GnRH está particularmente indicada a portadores de hipogonadismo
hipogonadrópico (síndrome de Kalmann) e alguns casos
de falência hipotálamo-hipofisária. A bromocriptina,
um derivado do “ergot”, é um agonista dopaminérgico,
que age diminuindo a secreção de prolactina, sendo,
por isso, a droga de escolha nos casos de infertilidade anovulatório
por hiperprolactinemia (1,3).
::.
7-Fator Cervical .::
O
fator cervical é causa de infertilidade em não mais
de 5% dos casos. A cérvice uterina é uma entidade
anatômica que separa a vagina, a qual se encontra em contato
com o meio exterior, do útero, que está em conexão
aberta com a cavidade peritoneal. Seria, portanto, este segmento
através de suas secreções, uma barreira contra
microorganismos estranhos ao mecanismo da reprodução,
e igualmente condicionada ao dia do ciclo menstrual, o mecanismo
de reprodução.
O primeiro local que o espermatozóide encontra é a
cérvice uterina com suas secreções, quando
então existem interações potenciais que pela
sua agressão ao espermatozóide podem determinar uma
esterilidade (2,3).
7.1.
Reservatório Cervical de Espermatozóides:
na espécie humana, vários milhões de espermatozóides
são depositados na vagina, porém, somente algumas
poucas centenas atingem o oviduto. Por outro lado, sabe-se que a
vida do espermatozóide na vagina não é longa,
sua permanência por mais de 35 minutos compromete irremediavelmente
sua capacidade de penetração no muco cervical e provavelmente
sua capacidade de fecundação. Acentua-se o fato de
que o tempo de duração em ruminantes é de aproximadamente
24 horas, porém a vida do espermatozóide que atinge
as trompas é muito curta, ainda que a vitalidade da população
espermática em geral seja muito longa. A vida média
do espermatozóide na cavidade uterina também é
breve, devido a uma morte precoce ou então são fagocitados
pelos leucócitos. Foi demonstrado que na mulher normal em
idade genital ativa, o muco cervical contém após a
ovulação um fator antiaglutinogênico (AAF) que
se evidencia na fase estrogênica. Este fator seria produzido
no folículo ovariano da mulher, nas trompas uterinas. Tanto
o sêmen como o espermatozóide tem propriedades antigênicas
e uma incompatibilidade entre estes e o muco cervical pode levar
à esterilidade (3).
7.2.
TPC:
o teste clássico para avaliação do papel potencial
do fator cervical na infertilidade é o teste pós-coito
(TPC). O TPC tem por objetivo avaliar a qualidade do muco cervical,
a presença e o número de espermatozóides móveis
no trato reprodutivo feminino após o coito e a interação
entre o muco cervical e os espermatozóides. O TPC deve ser
realizado imediatamente antes da ovulação, porque
sua interpretação apropriada requer o exame do muco
cervical em um momento de exposição estrogênica
suficiente. Embora os dados não sejam definitivos, o coito
após 2 dias de abstinência, ou aproximadamente 2-12
horas antes da realização do TPC, deve fornecer informações
adequadas. O muco normal estimulado por estrogênio deve distender-se
8 a 10 cm quando puxado do colo com pinça ou quando a lamínula
é levantada da lâmina. Deve demonstrar padrão
de cristalização altamente característico,
semelhante àquele observado ao exame do líquido amniótico,
e deve ser claro e aquoso. As características do muco cervical
modificam-se sob a influência da progesterona após
a ovulação, naquele período, o muco parece
espesso e opaco e não apresenta cristalização.
Deve ser contado o número de espermatozóides móveis
por campo de grande aumento, entretanto, não foi estabelecido
o número considerado normal. Alguns autores sugerem que praticamente
qualquer número de espermatozóides móveis observados
no TPC é normal, enquanto outros autores defendem mais de
20 espermatozóides por campo de grande aumento como limite
para um teste normal. Já a OMS dá como número
mínimo satisfatório sete espermatozóides direcionais
num aumento de 400x.
Classificação
do Teste pós-coito segundo a OMS.
Satisfatório |
>
7 espermatozóides direcionais por campo |
Insatisfatório |
<
7 espermatozóides direcionais por campo |
Negativo |
ausência
de espermatozóides direcionais |
Ausente |
ausência
de espermatozóides |
O
TPC pode ser anormal devido a três causas:
Defeitos anatômicos – a maior parte
deles seria devido a colonizações, seja cirúrgica
ou por cautério, sendo portanto adquiridos. A esteanose congênita
é rara e o diagnóstico é realizado através
da dificuldade em passar um sonda ou um cateter no interior do canal
cervical.
Varicosidades – é uma anormalidade
anatômica demonstrada através de exames colposcópicos
onde em um canal pouco desenvolvido pode-se ver varizes superficiais
que sangram com facilidade ao menor contato.
Muco cervical anormal – o fato da existência
de muco cervical anormal, não implica necessariamente na
existência de um muco cervical alterado, já que aproximadamente
60% assumem esta modalidade, porém os restantes 40% apresentam
um muco cervical com características normais (1,2,3).
7.3.
Qualidade Deficiente do Muco Cervical: o muco cervical nestas
circunstâncias costuma ser espesso e amarelado, ao exame microscópico
e apresenta-se com número excessivo de células. Este
aspecto costuma permanecer durante todo o ciclo e, nestas circunstâncias,
a penetração espermática é consideravelmente
difícil ou diminuída (3).
::.
8-Fator Tubário .::
O
fator tubário representa 30 a 50% dos casos de infertilidade
conjugal. Este número varia muito entre os autores e classes
sociais tratadas, principalmente se levarmos em consideração
associações com fatores uterinos e ovarianos. Na grande
maioria, as lesões provocadas por processos inflamatórios,
degenerativos e tumorais incluem, direta ou indiretamente, diferentes
segmentos da genitália. Freqüentemente, encontram-se
alterações anatômicas ou funcionais mais distantes,
às vezes aparentemente menores, porém comprometedoras
da fertilidade. Os fatores tubários incluem lesão
ou obstrução das trompas de Falópio, geralmente
associados à doença inflamatória pélvica
prévia ou cirurgia pélvica ou tubária prévia.
O risco de infertilidade após um único episódio
de doenças inflamatória pélvica é alto.
A incidência de infertilidade tubária foi descrita
como de 12%, 23% e 54% após um, dois ou três episódios
de doença inflamatória pélvica, respectivamente.
Aproximadamente 50% das pacientes com lesão tubária
documentada não possuem fatores de risco identificáveis
para doença tubária. Presume-se que a maioria destas
mulheres seja portadora de infecções subclínicas
por Clamídia (2,3).
8.1.
Diagnóstico do Fator Tubário: quase todos os
sinais e sintomas que indicam patologia genital devem fazer lembrar
da possível participação da tuba, desde a anamnese
na “queixa e duração”, nos antecedentes
pessoais, assim como na “história pregressa da doença
atual”. Até o simples corrimento vaginal é importante,
mas principalmente as vaginites rebeldes ou recidivantes, as lesões
do colo uterino submetido a várias cauterizações
e eventuais infecções mais altas, iatronênicas,
por manobras canaliculares. Também os exames ginecológicos
invasivos através do colo com endocervicites, inserções
de DIU, histerometrias, etc. Lesões iatrogênicas durante
biópsias do endométrio, histeroscopias, laparoscopias,
inseminações artificiais, curetagens pós-abortos
em gestações confirmadas ou não. Antecedente
de patologia uterina associada a lesões peritubo-ovarianas,
como a endometriose. Miomectomas com endometriose, que passam despercebidas
e daí disseminadas, é achado comum em esterilidade.
Hipertermia durante regras pode sugerir endometriose. Antecedentes
de tuberculose pessoal ou familiar devem ser pesquisados, lembrando
que pelo menos em 30% dos casos a lesão tubária passa
desapercebida. Em infertilidade feminina é válido
procurar uma patologia primária básica que explique
todos os achados, sinais e sintomas cronologicamente simultâneos
ou sucessivos (3).
8.2.
Exames Complementares
8.2.1.
Ultra-Sonografia Pélvica:
deve ser rotina na infertilidade. Informa a patologia do colo e
do corpo que modificam as condições de migrações
dos gametas: miomas, miohiperplasias difusas, adenomioses, pólipos,
hiperplasias do endométrio, malformações. Detalhes
e características das massas anexiais ajudam na interpretação
de cistos ovarianos peritoneais, hidrossalpinges e endometriomas.
A utilização de ultra-som acentua-se em todos os centros
pela oportunidade de punções de ovários, transferências
de embriões ou gametas pela luz de órgãos ou
mesmo através de suas paredes com menor trauma possível
(3).
8.2.2.
Histerossalpingografia (HSG):
é um método radiológico que permite um estudo
da cavidade uterina e da luz tubária mediante a injeção
de contraste através da cérvice uterina. A preferência
quase universal é por contrastes hidrossolúveis, por
temerem-se os efeitos embólicos e as reações
inflamatórias decorrentes do uso de soluções
oleosas. Um exame clínico e um estudo citológico cérvico-vaginal
precedem a realização da HSG. Rastreia-se previamente
a presença de qualquer processo infeccioso genital e identificam-se
as contra-indicações como gravidez e alergia ao iodo.
É fundamental que tenha o fluxo menstrual cessado por completo,
para não se carrearem detritos menstruais para a luz tubária
ou cavidade peritoneal, o que aumentaria o risco de endometriose
e doença inflamatória pélvica. Deve ser rotineiramente
realizada na fase folicular, preferencialmente entre o 7º e
10º dia de um ciclo de 28 dias. Esta técnica pode ser
dolorosa, mesmo depois da administração de inibidores
da prostaglandina sintetase, e não é isente de risco.
Até 2% das pacientes podem apresentar uma infecção
pélvica aguda. Além disso, não é uma
prova inteiramente exata. As divergências entre os achados
da HSG e a laparoscopia e da HSG e a histeroscopia variam de 27%
a 47% e 1,3% a 6,2%, respectivamente. O exame deve ser conduzido,
preferencialmente, sob monitorização fluoroscópica,
permitindo assim acompanhar a injeção lenta do contraste
no útero e nas trompas. Resultados falso-positivos podem
decorrer de: agendamento inadequado na fase do ciclo (exame na fase
proliferativa tardia), inadequação da técnica
e volume insuficiente de contraste injetado (1,5).
8.2.3.
Laparoscopia: é o “padrão ouro” para
o diagnóstico de doença tubária. Nas pacientes
em que a HSG revelou provável doença tubária
e naquelas em que não ocorreu uma gravidez dentro de seis
meses após a HSG normal, a laparoscopia deve ser utilizada
como diagnóstico final, devido ser esta invasiva e obrigar
à internação rápida. Esta técnica
permite a visualização de todos os órgãos
pélvicos e permite a detecção de miomas uterinos
intramurais e sub-serosos, aderência peritubárias e
periovarianas e endometriose. Embora os resultados da HSG possam
sugerir aderências, a sensibilidade e a especificidade da
HSG são de apenas 76% e 83%, respectivamente, para este distúrbio.
Achados anormais à HSG devem ser confirmados por visualização
direta com laparoscopia. Associada à histeroscopia, assim
chamada ginecoscopia, completa estudo tuboperitoneal e uterino.
Modernamente, a tuboscopia via laparoscópica ou laparotômica
adiciona diagnósticos das condições do pavilhão
e da ampola. Por estes instrumentos, gametas podem ser colhidos
ou introduzidos para completar o diagnóstico funcional. São
raras as pacientes inférteis que hoje não sofrem uma
laparoscopia antes indicada somente com prévia à programação
cirúrgica. Desde a esterilidade sem causa aparente até
a confirmação dos achados de outros exames acaba a
laparoscopia ocorrendo em 90% dos casos. São nos períodos
perimenstruais e periovulatórios com monitoragens pela ecografia
e dosagens hormonais e, às vezes, com terapêuticas
hormonais crônicas ou agudas prévias e no mesmo ciclo,
que as laparoscopias se aplicam dinamicamente participando da resolução
de grande número de condutas (1,2,3).
8.2.4.
Histeroscopia: o interior do útero pode ser visualizado
simplesmente pela técnica da histeroscopia que, em geral,
é realizada na mesma ocasião que a laparoscopia. Embora
as lesões sejam identificadas em cerca de 5% de pacientes,
é improvável que pequenos fibromas submucosos ou pólipos
sejam causa de infertilidade. Permanece por ser estabelecido o papel
de aderências secundárias. O septo, que pode ser retirado
histeroscopicamente, não produz infertilidade, mas predispõe
a paciente ao aborto recidivante. Os pólipos tubocorneanos
podem ser observados pela HSG ou histeroscopia. Sua presença
não influencia a fertilidade posterior
(1).
8.2.5.
Falopioscopia (ou tuboscopia):
com base nas técnicas derivadas de angioplastia coronariana,
foi desenvolvido um sistema que utiliza pequenos fios-guia para
permitir observação direta da luz da tuba de Falópio.
Esta visualização direta da arquitetura tubária
pode ser realizada através de laparoscopia ou histeroscopia.
A falopioscopia pode definir o aspecto tubário normal e identificou
padrões anormais da mucosa tubária, espasmo do óstio
tubário e presença de resíduos intraluminais
como causa de obstrução tubária. Esta técnica,
usada em associação com métodos radiológicos
para o tratamento de obstrução tubária proximal,
é promissora como um procedimento menos invasivo que pode
facilitar o diagnóstico e o tratamento da infertilidade por
fator tubário (2,3).
8.3.Tratamento
Medicamentoso e Conservador do Fator Tuboperitoneal: ao longo
da vida, a mulher está sujeita a adquirir várias doenças
gerais com ressonâncias ginecológicas. O tratamento
de infecções específicas ou inespecíficas
nem sempre impede a instalação secundária em
órgãos genitais mal formados ou desenvolvidos como
lugares de baixa resistência. As peritonites e as salpingites
fazem parte da história dos antecedentes na infertilidade
primária em jovens. Passam como quadros abdominais intestinais,
apendiculares ou urinários tratados esporadicamente nas crises
mais fortes. Abortamentos provocados ou espontâneos com curetagens
deixam complicações importantes em 2% dos casos. A
inserção de DIU em nulíparas precipita infertilidade
primária facilitando a ascensão de infecções
endocervicais não pesquisadas previamente. As cauterizações
das exocervicites ou endocervicites, para evitar quadros de peritonites
e salpingites, merecem cobertura antibiótica prévia
quando necessária (3).
::.
9-Endometriose .::
É
uma doença que acomete as mulheres em idade reprodutiva e
que consiste na presença de endométrio em locais fora
do útero. Os locais mais comuns da endometriose são:
fundo do colo do útero, septo reto-vaginal (tecido entre
a vagina e o reto), trompas, ovários, superfície do
reto, ligamentos do útero, bexiga, parede da pélvis
e ureter. Assim, toda vez que a mulher menstrua, isso acontece dentro
e fora do útero, ou seja, onde existem essas células.
O sangue, portanto, cai na cavidade abdominal. Raramente o tecido
endometrial é capaz de migrar via metaplasia celômica
para lugares distantes como pulmão, cérebro, olhos,
cotovelo ou joelho. Uma vez implantado, o tecido endometrial responde
ao ciclo hormonal e libera sangue nos locais de implantação.
Como nestes locais não há como escoar o sangue produzido,
freqüentemente ocorre cisto, inflamação, dor
ou infertilidade. O principal sintoma da endometriose é a
dor, às vezes muito forte, na época da menstruação.
Mas muitas mulheres que têm endometriose não sentem
nada, apenas têm dificuldade em engravidar, no seu início,
afeta as mulheres às vezes de forma silenciosa. Por outro
lado, ter endometriose não é sinônimo de infertilidade,
muitas mulheres com endometriose engravidam normalmente.
De 30 a 40% das mulheres que têm endometriose têm dificuldade
em engravidar. Pensa-se em endometriose em pacientes assintomáticas
somente quando, dentro da pesquisa de infertilidade, afastada as
causas masculinas, pensa-se em infertilidade sem causa aparente.
Segundo alguns trabalhos, de 40 a 78% das pacientes portadoras de
endometriose podem ser diagnosticadas através da laparoscopia.
Os sintomas da endometriose podem diminuir ou desaparecer no período
das gestações e após a menopausa, pois os ovários
param de produzir os hormônios femininos e o endométrio
começa a atrofiar-se. Existem várias causas que podem
explicar a infertilidade causada pela endometriose. A mais comum
é a formação de processos aderências,
decorrentes de processos inflamatórios provocados pelo sangramento
interno. Esses processos aderências podem se instalar em torno
de estruturas nobres para a fertilização, como tubas
uterinas e ovários, na parte posterior e baixa do útero,
junto aos intestinos, e, em algumas ocasiões podem tomar
dois ou mais órgãos. Outras causas possíveis
de infertilidade provocadas pela endometriose são a presença
de elementos celulares, alterações hormonais, prostaglandinas,
que além de provocar alterações funcionais,
podem provocar as dores pélvicas intensas, principalmente
a cólica no período menstrual
(12,13,14,15).
O diagnóstico de endometriose pode ser sugerido clinicamente
pela história de cólicas menstruais, dor pélvica
crônica, irregularidade menstrual, dor na relação
sexual e infertilidade. Um ou mais sintomas dos citados, podem estar
presentes. Quando ocorre comprometimento dos ovários, em
apenas 20% dos casos consegue-se palpar algum temor. O melhor exame
para o diagnóstico de endometriose é a videolaparoscopia.
Além de permitir diagnosticar e verificar a extensão
da doença, a videolaparoscopia também permite o tratamento
desta doença.
Durante este exame, avalia-se a aparência da endometriose
(vermelhas, negras e brancas), e com isso, pode-se descrever os
diferentes tipos de crescimento e evolução da doença.
As lesões vermelhas podem representar o estágio inicial,
localizando-se mais freqüentemente nos ligamentos que sustentam
o útero, e são as que mais causam inflamação.
As lesões negras representam endometriose em regressão.
A evolução da lesão vermelha para a negra pode
levar de 4 a 10 anos. As lesões brancas não são
ativas e representam cicatrizes (16).
 |
::.
10-Fator Uterino
.::
O
fator uterino pode ocorrer em 10 a 20% de pacientes inférteis.
Embora as anormalidades uterinas geralmente estejam associadas ao
abortamento recorrentes à infertilidade, determinadas anormalidades
anatômicas do útero foram propostas como causas de
infertilidade. Miomas uterinos podem estar associados ao abortamento.
Alguns pesquisadores especulam que a localização de
miomas na cavidade endometrial pode interferir com o transporte
ou implantação de espermatozóides. A hemorragia
anormal associada a estes miomas pode não permitir preparo
apropriado do endométrio para a implantação
bem-sucedida.
Entretanto, os miomas são causa rara de infertilidade, e
a miomectomia abdominal pode até mesmo causar infertilidade
pela formação de aderências pós-operatórias.
Algumas vezes, em dificuldade mais graves, o fator corpóreo
(corresponde a situações em que a concepção
e/ou a nidação não ocorrem por problemas localizados
no corpo uterino) impede a concepção. Com certa freqüência
as alterações permitem a concepção,
mas não a fixação do ovo na cavidade uterina,
criando um abortamento tão precoce que nenhuma modificação
será sentida pela mulher ou detectada pelo médico.
Finalmente, em outras ocasiões a gestação é
diagnosticada, mas se interrompe em algum momento de sua evolução.
O fator corpóreo de infertilidade pode-se dever a três
grupos de causas: malformações do corpo uterino, lesões
miometriais e lesões endometriose (2,3,18).
10.1.
Malformação do Corpo Uterino:
o corpo uterino origina-se da fusão dos ductos de Müller.
Defeitos na embriogênese determinarão a duplicação
parcial ou total do corpo uterino, com ou sem a duplicação
do colo uterino e da vagina.
Nesse processo de não-fusão dos ductos müllerianos
poderá haver simetria ou se constituírem estruturas
assimétricas, inclusive com atrofia. O diagnóstico
de malformação do corpo uterino se fundamenta em:
história clínica, exame clínico, histerometria,
histerossalpingografia, histeroscopia, ultra-sonografia e laparoscopia
(2,3).
10.2.
Lesões Miometriais: as lesões miometriais capazes
de provocar infertilidade são as seguintes:
(a) hipoplasias uterinas – defeitos de desenvolvimento da
musculatura uterina, por má resposta aos estímulos
hormonais;
(b) miomas uterinos – os submucosos perturbando a superfície
de implantação da gestação, e os intramurais
perturbando a contratilidade normal da musculatura;
(c) adenomiose – a fibrose progressiva que o processo de adenomiose
determina no endométrio afetará a gestação
da mesma forma que os miomas. O diagnóstico de lesões
miometriais como causa de infertilidade utiliza a seguinte semiótica:
história clínica, exame clínico, histerometria,
HSG, histeroflebografia, ultra-sonografia, histeroscopia e laparoscopia
(2,3,5,17,18).
10.3.
Lesões Endometriais: as lesões endometriais ligadas
à infertilidade podem ser de cinco tipos:
a) metrose de receptividade – o endométrio não
responde aos estímulos hormonais. O processo costuma ser
temporário;
b)pólipos endometriais;
c) sinéquias – aderências intracavitárias,
por vezes extensas, por vezes em apenas um ponto, mas provocando
uma metrose de receptividade específica, que só curará
com o tratamento da sinéquia;
d) endometrite – as endometrites crônicas podem estar
ligadas a microorganismos habituais nas infecções
ginecológicas, ao bacilo de Kock e a simples processos inflamatórios
decorrentes de miomas submucosos ou áreas de adenomiose próximas
ao endométrio;
e) metaplasia óssea ou ossificação endometrial
– presença de tecido ósseo na cavidade endometrial,
por metaplasia ou resíduos fetais ou embrionários.
A semiologia da cavidade endometrial inclui, além dos exames
de avaliação anatômica já citados, o
estudo histológico da mucosa endometrial (3).

Útero
bicorno
|

Pólipo
endometrial |

Sinéquia
endometrial |
::.
11-Fator Peritoneal .::
O
fator peritoneal é o conjunto de disfunções
da cavidade peritoneal que, por razoes mecânicas, bioquímicas
ou imunológicas, interfere nas diversas etapas do processo
reprodutivo. Sua incidência é vista em torno de 11%
entre os diversos fatores da infertilidade conjugal. Assim sendo,
o acometimento pode atingir a postura e captação ovular,
os gametas e até mesmo o desenvolvimento do corpo lúteo.
Os fatores peritoneais incluem aderência peritubárias
ou periovarianas, que geralmente resultam de doença inflamatória
pélvica ou cirurgia, e endometriose. A harmonia da cavidade
peritoneal, no que tange à biologia da reprodução,
pode ser modificada por processos aderenciais, alterações
bioquímicas e imunológicos.
Aderências:
fisiologicamente, o peritônio, quando agredido, caminha para
a recuperação em curto espaço de tempo. A cicatrização
com uma camada celular ocorre dentro de cinco dias, ao passo que
completa mesotelização ao final de oito dias.
Alterações bioquímicas: este
é um dos temas onde impera a controvérsia. Autores
documentam o encontro de maior volume de fluido peritoneal em pacientes
com endometriose. Já outros, têm relatado até
mesmo a associação de ascite a esta enfermidade. Algumas
substâncias têm sido verificadas em níveis elevados
no líquido peritoneal na vigência de endometriose,
a exemplo da fosfatase ácida, assim como já foi encontrado
uma proporção mais elevada das prostanóides
no fluido peritoneal. Alterações imunológicas:
em condições normais, a célula predominante
na cavidade peritoneal é o macrófago. Este aporte
de macrófagos teria por finalidade fagocitar o conteúdo
de detritos endometriais, conduzido à cavidade peritoneal,
também são responsáveis por purificar o líquido
peritoneal após a rotura folicular e, também, fagocitar
os espermatozóides que aportam ao peritônio. O fluido
peritoneal de pacientes portadoras de endometriose estimula a proliferação
de células endometriais. A hiperativação destes
macrófagos se expressa por um efeito danoso sobre os gametas,
com a patológica fagocitagem dos espermatozóides na
ampola tubária, constituindo-se assim uma agressão
imunológica na cavidade peritoneal ao processo reprodutivo
(2,3).
11.1.
Diagnóstico: a história clínica pode nos
fornecer dados valiosos que nos permitem suspeitar de patologia
da cavidade peritoneal. O passado de doença inflamatória
pélvica, uso de DIU, apendicite supurada, gravidez ectópica,
abortamento séptico e infecção pós-parto,
são fatores que conduzem à formação
de aderências perianexiais. Sintomas clínicos que incluem
dor pré e intramenstrual e dispareunia se faz pensar em endometriose,
a qual produz modificações na cavidade peritoneal
de caráter mecânico (aderência), bioquímico
e imunológico. O exame físico, nestes casos, habitualmente,
é pobre em dados. A laparoscopia pode ainda detectar a presença
de implantes peritoneais de endometriose e endometriomas. É
o “padrão ouro” para o diagnóstico de
doença peritoneal. Achados incomuns devem ser confirmados
por visualização direta com laparoscopia. A histerossalpingografia
geralmente não oferece imagens patogomônicas de aderência
pélvicas. Pode-se, contudo, observar, eventualmente, o contraste
aprisionado em blocos de aderências sem atingir o fundo do
colo do útero (2,3,17,20,21).
::.
12-Fatores Coital e Vaginal .::
No
estudo da infertilidade conjugal, o fator coital pode ser considerado
como um conjunto de circunstancias que impedem a fecundação
em decorrência de distúrbios relacionados ao ato sexual.
O desempenho sexual está intimamente relacionado ao grau
de ajustamento conjugal que pode ser entendido como a capacidade
do casal em superar dificuldades decorrentes de problemas familiares,
econômicos, sociais e emocionais, de maneira que ambos considerem
satisfatórias as soluções adotadas e cada um
tenha a oportunidade de desenvolver sua personalidade individual
no contexto de ralação matrimonial. Além das
disfunções sexuais, que são problemas ligados
à adequação física do coito, outros
problemas ligados à sexualidade humana, como a queda do impulso
sexual, podem explicar determinados casos de infertilidade, pela
redução significativa da freqüência de
relações. A incidência do fator coital e vaginal,
como causa de infertilidade conjugal, é muito difícil
de ser estabelecida. Varia amplamente de acordo com a fonte de estudo.
A maioria dos trabalhos publicados aludindo ao fator psicossexual,
atribui-lhe uma incidência de 5 a 30%, podendo a disfunção
sexual representar 10 a 20% desses distúrbios (3).
12.1.
Disfunções Sexuais:
podem acometer separadamente o homem ou a mulher ou ambos concomitantemente.
Na mulher: falha orgástica, vaginismo (contratilidade espasmódica
involuntária dos músculos perivaginais ocasionalmente
acompanhada de dor), dispareunia (3,25).
12.2.
Pesquisa do Fator Coital: influência da atitude e das
instruções médicas no ajustamento psicossexual
do casal: a anamnese deve ser livre tanto quanto possível,
dependendo evidentemente do nível sociocultural e dos mecanismos
de defesa envolvidos em cada caso. No entanto, existe um roteiro
mínimo que o médico deve utilizar para obter o máximo
de informações do casal infértil, a saber:
época do início de relações sexuais,
como foi a primeira experiência sexual, no tocante à
forma e qualidade; experiência sexual com o atual parceiro
e relacionamentos anteriores; freqüência de coitos e
a sua distribuição durante o período (dia,
semana, quinzena, mês); o desempenho sexual.
Elementos comemorativos sobre a penetração e o intercurso
peniano; existência de atitudes sexuais não convencionais;
caracterização da libido masculina e feminina; caracterização
do orgasmo; pesquisa de disfunção durante o ciclo
de resposta sexual; atitudes do casal após o coito. Dentre
os antecedentes pessoais reveste-se de importância a ocorrência
de doença metabólica, principalmente o Diabetes Mellitus.
As intervenções cirúrgicas sobre a pelve, o
retroperitônio ou o aparelho urinário. Ainda, a observação
dos hábitos de vida do casal pode contribuir para o perfil
de desempenhos sexuais, tais como o uso de drogas, álcool,
tabaco, etc. (3,24,26).
::.
13-Fator Imunológico .::
Para
fins de infertilidade imunológica, a imunidade celular parece
ter menor importância que a imunidade humoral, mas que servem
sobretudo para chamar a atenção à possibilidade
de que possa ocorrer sensibilização na fêmea,
quando se deposita em sua mucosa (oral, retal ou vaginal) substâncias
(por exemplo, esperma) que, em sua vida intra-uterina, não
foram inventariadas pelo seu timo e, portanto, não fazem
parte do seu “self”, e que, assim sendo, poderão
funcionar como agentes sensibilizadores, imunógenos e desencadear
resposta imunológica capaz de interferir em praticamente
todas as etapas da reprodução, desde a ascensão
do espermatozóide pelo aparelho genital feminino até
a sua capacidade de fertilizar o óvulo e, tendo esta ocorrido,
desde a migração do ovo, até seu implante e
posterior “rejeição”. O espermatozóide
não é patrimônio imunológico da mulher
e, portanto, pode imuniza-la. A infertilidade imunológica
nos dias atuais, adquire particular importância na medida
em que se estima que possa corresponder a 20% dos casos de esterilidade
sem causa aparente, através de disfunção de
gametas, falha na fertilização ou nos eventos pós-fertilização
(desenvolvimento embriogênico precoce, implantação)
(2,3).
13.1.
Evidências de Atividade Imunológica no Aparelho Genital:
na cérvice uterina detectam-se todas as classes de imunoglobulinas:
IgA, IgE, IgG, IgM, havendo entretanto, preponderância nítida
de IgA. Enquanto que no soro representa 10 a 15% das imunoglobulinas,
a IgA nas secreções concorre com 60 a 99% destas.
O período ovulatório seria aquele em que, do ponto
de vista imunológico, o muco cervical estaria mais receptível
ao espermatozóide. Durante o coito, uma mulher é repetidamente
exposta a bilhões de espermatozóides, mas muito raramente
apresenta resposta imune. Em mulheres que apresentam esta resposta,
o desenvolvimento de anticorpos antiespermatozóides pode
estar associado a trauma, resultado em rupturas no epitélio
vaginal. Os distúrbios que causam rupturas desta barreira
poderiam ativar o sistema imune. O trauma ou torção
testicular, a reversão de vasectomia e a infecção
do trato genital foram, todos, implicados como causas de formação
de anticorpos antiespermatozóides
(2,3).
13.2.
Antígenos Envolvidos em Infertilidade Imunológica:
antígenos femininos: foi observado a presença de anticorpos
antiovário em 30% de 110 pacientes com menopausa precoce.
Estes anticorpos dirigiam-se sobretudo às células
foliculares e da granulosa. Recentemente usou-se enzimaimunoensaio
específica para anticorpos ovarianos e, demonstrou-se que
69% de 45 pacientes com menopausa precoce apresentavam-se soropositivos
indicando que a auto-imunidade na falência ovariana precoce
é a sua causa mais comum. No ciclo ovariano, a presença
da camada de células que constituem a zona pelúcida
é crítica para a diferenciação do folículo,
sendo a interferência imunológica nesta zona capaz
de alterar o desenvolvimento folicular. Vários trabalhos
referem anticorpos antizona pelúcida presentes nos soros
de mulheres inférteis.
O problema é que a imunização com antígenos
desta zona provoca o surgimento de uma variada população
de anticorpos para diferentes determinantes antigênicos e
precisar qual deles é importante para problemas de fertilidade
tem sido a questão (1,3).
13.3.
Fisiopatologia: tendo em vista que tanto a mulher quanto o
homem possuem antígenos genitais inventariados na vida intra-uterina,
portanto, não reconhecidos como “self”, as possibilidades
dos mesmos interferirem na vida reprodutiva, far-se-á por
mecanismos:
a) isoimunidade para espermatozóides na mulher: ativação
do sistema imunológico feminino contra antígenos espermáticos;
b) auto-imunidade masculina: ativação do sistema imunológico
do homem contra seus próprios antígenos espermáticos;
c) auto-imunidade feminina: ativação do sistema imunológico
feminino contra seus próprios antígenos (células
da granulosa, da zona pelúcida, etc.).
Não se sabe exatamente como na mulher haveria sensibilização
a seus próprios constituintes antigênicos, observando-se
casos de amenorréias primárias e secundárias
à insuficiência ovariana, resultante da ação
de anticorpos específicos críticos contra as células
da granulosa e da teca interna do ovário capazes de agir
inclusive contra as células do testículo, placenta
e supra-renal, produtoras de hormônios esteróides.
Assim haveria casos de menopausa precoce ou de disgenesia gonadal
pura cuja etiopatogenia, em última instância, teria
base imune. Na clínica, o que se constata é que mulheres
com menopausa precoce apresentam elevada incidência de auto-anticorpos
teciduais, sobretudo contra tireóide, independentemente de
manifestarem qualquer outro distúrbio imunológico.
A hipótese atual é que estas pacientes possam ser
portadoras de uma disfunção imunológica
(3).
13.4.
Diagnóstico: na prática, suspeita-se do fator
imunológico sempre que se tem um distúrbio da interação
muco cervical/esperma, o que, clinicamente, apresentar-se-á
em casais com teste pós-coito “fraco”, com esterilidade
mais freqüentemente primária do que secundária
inexplicada. A avaliação propedêutica do fator
imunológico no casal estéril se fará por testes
observáveis no consultório que visam a detectar o
já referido distúrbio de interação muco-espermatozóide
(teste de contato, teste de penetração in vitro, teste
pós-coito) e por testes laboratoriais propriamente ditos,
que visam avaliar a imunidade humoral (aglutinação,
imobilização, imunofluorescência, radiorrotulados,
ELISA ou enzimaimunoensaio, MAR Test, Imunobeads) e a imunidade
celular (detecção da atividade das linfocinas e intradermorreação).
A avaliação da imunidade humoral tem maior correlação
com a infertilidade imunológica. Do que se conhece até
o momento, nenhum teste isoladamente provou ser superior aos demais
(3,17).
13.5.
Testes Laboratoriais: os anticorpos envolvidos na aglutinação
de espermatozóides são das classes IgG e IgM. Outro
aspecto confuso da avaliação da infertilidade imunológica
é a enorme quantidade de testes existentes para a detecção
de anticorpos antiespermatozóides. Os testes de aglutinação
dos espermatozóides e os testes de imobilização
de espermatozóides complemento-dependentes foram substituídos
pelos testes de imunoconta (“Immunobeads Test”) ou aglutinação
mista (“MAR Test” - “mixed erythrocyte spermatozoa
antiglobulin reaction”). Nenhum teste isoladamente é,
por si só, capaz de avaliar todos anticorpos envolvidos nos
mecanismos de infertilidade imunológica, daí a necessidade
de se lançar mão de vários testes para avaliação.
O tratamento da infertilidade imunológica tem visado, sobretudo,
abaixar os níveis de anticorpos antiespermatozóides
seja através da supressão do estímulo (condonterapia
para o isoimunidade feminina, androgenioterapia para a auto-imunidade
masculina) ou na resposta imunológica (imunossupressão)
e em se evitar ou diminuir o contato entre o antígeno e o
anticorpo espermático nos sítios de maior atividade
(inseminação), ou mais recentemente, da tentativa
de degradação enzimática de anticorpos ligados
à superfície do espermatozóide. Considerando
que há uma predominância de auto-anticorpos IgA no
ejaculado do homem com auto-imunidade e que é possível
obter-se IgA protease a partir de várias bactérias
fica aberta uma perspectiva futura para obtenção de
esperma de melhor qualidade a ser inseminado (1,2,3,27).
::.
14-Infertilidade sem Causa Aparente .::
Identifica-se
a infertilidade sem causa aparente quando o casal não conseguiu
atingir a concepção, após dois anos de união
ativa sem uso de anticonceptivos e cuja investigação
não logrou determinar o fator causal. Alguns critérios
básicos devem ser estabelecidos para rotular a infertilidade
como sem causa aparente: comprovação de ciclo ovulatório
normal por biópsia endometrial ou mediante dosagem de progesterona
plasmática e temperatura corporal basal. Identificação
de níveis adequados de prolactina; espermograma dentro dos
parâmetros da normalidade; identificação de
espermomigração normal à constatação
de um teste pós-coito positivo; comprovação
de normalidade uterina e tubária por HSG e, se possível,
por laparoscopia, histeroscopia e ultra-sonografia. Outros testes
podem ser adicionados na tentativa de elucidar a etiologia de uma
infertilidade de causa obscura: pesquisa de Clamídia e Micoplasma,
teste de compatibilidade muco-sêmen em lâmina, pesquisa
de anticorpos antiespermatozóides da classe IgA, IgG por
MAR Test ou Imunobeads, teste de penetração em óvulo
de “hamster”, dosagem de FSH basal no 3º dia do
ciclo, dosagens de TSH, T3, T4 e avaliação psicológica
do casal (2,3,17,29).
Não é tarefa fácil precisar a percentagem de
casais com esterilidade sem causa aparente. Estudos mostram incidência
de 10 a 20% de casais estéreis. Esse roteiro semiológico
ampliado permite identificar: disfunções ovulatórias
inaparentes que podem influenciar na produção e liberação
do óvulo, a exemplo da síndrome do folículo
luteinizado não roto; defeitos ocultos da função
e transporte dos espermatozóides, capazes de dificultar a
interação espermocitária; defeitos ocultos
da cavidade uterina, trompas e peritônio pélvico, a
exemplo de sinéquias intra-uterinas, aderências peritubárias
e focos de endometriose; disfunções imunológicas
que podem agredir os espermatozóides, pela presença
de anticorpos; infecções ocultas que podem alterar
a espermomigração, como a implantação
embrionária.
Após roteiro semiótico básico, e somente após,
acrescido de exames definidos para elucidação dos
fatores de esterilidade vislumbrados, pode-se permitir rotular o
caso como de infertilidade sem causa aparente.
No tratamento da infertilidade inexplicada, é essencial considerar
a taxa de gravidez espontânea entre pacientes não tratadas
com este diagnóstico.
Este ponto não é insignificante: até 65% de
pacientes inférteis “normais” engravidarão
ao longo de três anos de expectação. Portanto,
os relatos de tratamento eficaz para infertilidade inexplicada devem
ser examinados cuidadosamente (2,3,4,28,29).
::.
Conclusão .::
No
geral, é apropriado que o casal procure assistência
médica com especialistas em reprodução humana
após 12 meses de tentativa sem que ocorra gestação.
A idade condiciona de forma fundamental a capacidade reprodutiva
da mulher. Tanto a qualidade do oócito, quanto a capacidade
do útero em manter uma gestação a termo se
tornam afetadas, ainda que a primeira seja a principal causa deste
declínio. Deve-se lembrar também que com a idade aumenta
a incidência de anomalias cromossômicas e abortamentos
espontâneos (33).
Como foi visto, os fatores de risco para a infertilidade são
as doenças inflamatórias pélvicas, uso de dispositivo
intra-uterino (DIU), abortamento ou cirurgia pélvica. Um
tratamento eficaz destas moléstias servem como profilaxia
da infertilidade feminina. Vale lembrar que o mais importante no
tratamento da endometriose é o planejamento das ações
terapêuticas em comum acordo com o planejamento da gravidez
pelo casal, como vale lembrar também, que a infertilidade
imunológica não é um fenômeno do tipo
“tudo ou nada”, e o prognóstico com relação
à gravidez depende do nível da sensibilização,
do fato de se tratar de auto ou isoimunidade, da maior reatividade
imunológica local (muco, esperma), da classe de anticorpo
envolvido e da extensão, área e número de espermatozóides
afetados (3,12). Portanto,
pouquíssimos casais que são incapazes de conceber
são portadores de infertilidade absoluta. Em vez disso, a
maioria dos casais se depara com fertilidade reduzida ou subfertilidade
e pode conseguir gravidez sem tratamento, se as tentativas forem
mantidas por período prolongado. Assim, a maioria dos tratamentos
para infertilidade são direcionados para diminuir o tempo
que levaria para se conceber sem intervenção. Este
tratamento freqüentemente é realizado na tentativa de
conseguir gravidez antes ou durante o declínio natural da
fecundidade feminina relacionado à idade (2).
A investigação do casal infértil é simples
quando são detectadas causas evidentes. Muitas situações
são menos claras e as provas atualmente disponíveis
exigem um elevado grau de interpretação
(3).
::.
Bibliografia .::
1.
COPERLAND , L.J.; JARRELL, J.F.; Mc GREGOR, J. A. – Tratado
de Ginecologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1996. p. 251 a
262 e p. 280 a 285.
2. BEREK, J. S.; ADASHI, E. Y.; HILLARD, P.A. – Tratado de
Ginecologia Novak. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998. p. 650
a 675.
3. HALBE, M. W. – Tratado de Ginecologia. Vol. II. 2ª
ed. São Paulo: Editora Roca, 1995. p. 1367 a 1370, p. 1431
a 1564 e p. 1580 a 1588.
4. SERONO – Infertilidade Feminina. Serono Biotech & Beyond,
Barueri/SP, 1998. Disponível em: http//www.serono.com.br/reprodução/infertif.htm.
Acesso em: 22 set. 2000.
5. CPDG. – Desenvolvimento pelo Centro de Diagnóstico
Ginecológico, 2000. Apresentação de texto sobre
a avaliação básica da infertilidade. Disponível
em: http://www.ginecologia.hypermart.netavaliacao_basica_da_infertilidade.htm.
Acesso em: 13 jul. 2000.
6. RIBEIRO, G. H.; JÚNIOR, J. L. S.; NOVIELO, M.; ALVARENGA,
R. L. S.; FILHO, R. A.; RIBEIRO, R. C.; AMORIM, W. C. – Infertilidade
x Esterilidade. Instituto de Saúde da Mulher: Clínica
membro da Rede Latinoamericana de Reprodução Assistida,
São Paulo. 1999. Disponível em: http://www.ism.med.br/infertil.infxest.htm.
Acesso em: 02 fev. 2001.
7. SBCM. Desenvolvimento pela Sbcm, 1999. Apresentação
de texto sobre prolactina. Disponível em: http://www.sbcm-rj/sbcm-rj/academico/dicas/laboratorio/lista/prolactina.htm.
Acesso em: 12 mar. 2001.
8. REPOLHO. Desenvolvimento pela revista Repolho, 2000. Apresentação
de texto estudo sobre fertilidade feminina dependente do peso. Disponível
em: http://www..repolho.com.br/saude/novembro2000/fertilidade.htm.
Acesso em: 12 mar. 2001.
9. WEBCIÊNCIA. – Desenvolvido pela Webciência,
2000. Apresentação de texto sobre o aparelho reprodutor
feminino. Disponível em: http://www.studio401.com.br/clientes/webc/11_31feminino.htm.
Acesso em: 27 mar. 2001.
10. BIO COMPUTER. – Desenvolvido pela BioComputer, 2001. Apresentação
de texto sobre o aparelho reprodutor feminino. Disponível
em: http://www.biocomputer.vila.bol.com.br/aparelhorepro.htm. Acesso
em: 27 mar. 2001.
11. WOMANCARE. – Desenvolvido pela Womancare, 2000. Apresentação
sobre guia didático do aparelho reprodutor feminino. Disponível
em: http://www.womancare.med.br/pq_guia.htm. Acesso em: 27 mar.
2001.
12. RAMOS, S. P. – Endometriose. Gineco.com.br: Atenção
integral à Saúde da Mulher, Campinas-SP, 2000. Disponível
em: http://www.gineco.com.br/endometr.htm. Acesso em: 22 set. 2000.
13. PERGUNTAS E RESPOSTAS. – Desenvolvimento pela Fertility
Centro de Fertilização Assistida – Videoscopia
Pélvica, 2000. Apresentação de texto sobre
reprodução e endometriose. Disponível em: http://www.fertility.com.br/per1.htm.
Acesso em: 19 mar. 2001.
14. DELFINO, V. L. Endometriose. CIMCO: CEFET integrado na multiplicação
de conhecimentos, Curitiba, 2000. Disponível em: http://www.cefetpr.br/cimco/guia_qualidade15.htm.
Acesso em: 12 mar. 2001.
15. PEREIRA , D. H. – Endometriose e Nutrição:
Enfoque Ortomolecular. Endometriose Brasil, São Paulo, 2000.
Disponível em: http://www.endometriosebr.com.br/end_nutri.htm.
Acesso em: 12 mar. 2001.
16. ANDROFERT. – Desenvolvido pela Androfert, 2000. Apresentação
de texto sobre endometriose. Disponível em: http://www.androfert.com.br/endometriose.htm.
Acesso em: 05 abr. 2001.
17. BIAZOTTI, M. C. – Conceitos e causas da infertilidade.
Revista Saúde e Vida On Line, Campinas/SP, 2001. Disponível
em: http://www.saudevidaonline.com.br/artigo84.htm. Acesso em: 19
mar. 2001.
18. C.R.A.F. – Desenvolvido pelo Centro de Reprodução
Assistida Fêmina, 2000. Apresentação de texto
sobre causas da infertilidade feminina. Disponível em: http://www.crafemina.com.br/info_tecnicas.htm.
Acesso em: 19 mar. 2001.
19. NEWSLAB. – Desenvolvido pela Newslab, 1998. Apresentação
de texto sobre análise citológica do líquido
ascítico. Disponível em: http://www.newslab.com.br/analise_citologica.htm.
Acesso em: 24 abr. 2001.
20. PROFERT. – Desenvolvido pela Profert Reprodução
Assistida, 2001. apresentação de texto sobre infertilidade
inexplicada. Disponível em: http://www.profert.com.br/diagnost034.htm.
Acesso em: 20 abr. 2001.
21. MELO, C. V.; FIGUEIRA, E. W. N.; FERNANDES, F. C.; GOMES F.
L.; HARADA, K. O.; JÚNIOR, R. S. S. – Laparoscopia
e Infertilidade. Medstudents, Belém, 1998. Disponível
em: http://www.madstudents.com.br/original/revisao/laparos/laparos.htm.
Acesso em: 20 abr. 2001.
22. STERN, M. – Impotência e Frigidez. Via Saúde,
2001. Disponível em: http://www.viasaude.com.br/artigos/impotencia_frigidez.htm.
Acesso em: 21 abr. 2001.
23. VITIELLO, N. – Afinal, o que é Frigidez?. SOS Doutor,
2000. disponível em: http://www.sosdoutor.com.br/sossexualidade/frigidez.htm.
Acesso em: 21 abr. 2001.
24. GUIA DO SEXO. – Desenvolvido pelo Caderno Digital, 2001.
Apresentação de texto sobre vaginismo – o medo
da entrega. Disponível em: http://www.cadernodigital.uol.com.br/guiadosexo/disfuncaosexual/vaginismo.htm.
Acesso em: 21 abr. 2001.
25. GUIA DO SEXO. – Desenvolvido pelo Caderno Digital, 2001.
Apresentação de texto sobre dispareunia – dor
na relação. Disponível em: http://www.cadernodigital.uol.com.br/guiadosexo/disfunsaosexual/dispareunia.htm.
Acesso em: 21 abr. 2001.
26. ROJTENBERG, C. – Vaginismo. Antonio Alberto Pina Júnior.
Rio de Janeiro, 2000. Disponível em: http://www.rol.com.br/hp/aapj/vaginismo.htm.
Acesso em: 21 abr. 2001.
27. H. PARDINI. – Desenvolvido pelo Instituto de Patologia
Clínica H. Pardini, 1998. Apresentação de texto
sobre detecção de anticorpos anti-espermatozóides
utilizando “Immunobeads Teste” – IBT. Disponível
em: http://www.labhpardini.com.br/lab/bioquimica/antiespr.htm. Acesso
em: 25 abr. 2001.
28. PUPO, I. F. – Infertilidade sem causa aparente. Guia do
Bebê. São Paulo, 2000. Disponível em: http://www.uol.com.br/guiadobebe/artigos/infertilidade.htm.
Acesso em: 25 abr. 2001.
29. SOGESP. – Desenvolvido pelo jornal da Sociedade de Obstetrícia
e Ginecologia do Estado de São Paulo, 2000. Apresentação
de texto sobre infertilidade sem causa aparente. Disponível
em: http://www.sogesp.com.br/protocolos/manuais/infertilidade/cap08.htm.
Acesso em: 25 abr. 2001.
30. IMAGEM E DIAGNÓSTICO. – Desenvolvido pela Revista
Cura – ano II – nº 5, 2000. Apresentação
de texto sobre ressonância magnética da pelve feminina.
Disponível em: http://www.cura.com.br/rwra.end05/rc11.htm.
Acesso em: 24 abr. 2001.
31. CURSOS MÉDICOS. – Desenvolvido por Cursos Médicos
– Cursos e Informações para os Médicos,
2000. Apresentação de texto sobre videohisteroscopia.
Disponível em: http://www.cursosmedicos.com.br/videohisteroscopia.html.
Acesso em: 24 abr. 2001.
32. UNIDADE DE VIDEOHISTEROSCOPIA. – Desenvolvido por Women’s
Medical Center, 2000. Apresentação de texto sobre
videohisteroscopia. Disponível em: http://www.womens.com.br/histeroscopia.htm.
Acesso em: 24 abr. 2001.
33. CPDG. – Desenvolvido pelo Centro de Diagnóstico
Ginecológico, 2000. Apresentação de texto sobre
informações gerais sobre infertilidade. Disponível
em: http://www.ginecologia.hypermart.net/informacoes_gerais_sobre_inferti.htm.
Acesso em: 13 jul. 2000.
|